
A edição 140 do Boletim das RSCM nas Nações Unidas destaca a Cimeira dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) onde os líderes mundiais reconheceram que, a meio do período de implementação de 15 anos, os ODS estão perigosamente atrasados, com apenas 15% das metas em vias de serem cumpridas até 2030. Como referiu o Secretário-Geral da ONU, “os ODS não são apenas uma lista de objetivos. Eles carregam as esperanças, os sonhos, os direitos e as expectativas das pessoas em todos os lugares”.
Cimeira da Ambição Climática
A Cimeira da Ambição Climática, realizada em 20 de setembro, durantea Semana de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU), foi convocada pelo Secretário-Geral em dezembro passado como uma cimeira “sem disparates”, com o objetivo de reunir os líderes mundiais que responderam ao seu apelo para uma ação urgente e acelerada para enfrentar a crise climática. Foi concebida como uma plataforma para os “primeiros a avançar e a agir”, sem exceções nem compromissos. O seu objetivo era defender soluções credíveis e tangíveis para a crise climática, com o fim de inspirar outros líderes. Os oradores de alto nível tiveram de apresentar ações, planos e políticas credíveis e ambiciosas.
Marcha pelo clima: para o fim dos combustíveis fósseis
O uso de combustíveis fósseis como o carvão, o petróleo e o gás natural continua a ser o principal fator de aquecimento global. Apesar da crescente crise climática e das provas científicas incontestáveis apresentadas pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (CQNUAC) no seu último relatório, os governos continuam a conceder novas licenças de extração mineira e a abrir novos oleodutos, concedendo grandes subsídios à indústria dos combustíveis fósseis. Mas, para cumprir os objetivos do Acordo de Paris, a produção de combustíveis fósseis deve diminuir cerca de 6% ao ano entre 2020 e 2030.
Na véspera da Semana de Alto Nível da AGNU, grupos da sociedade civil uniram forças numa marcha pelo clima. Apelaram aos líderes globais para que eliminassem os subsídios aos combustíveis fósseis, parassem a nova exploração e expansão e eliminassem gradualmente a produção existente de combustíveis fósseis, apoiando ao mesmo tempo uma transição justa para as energias renováveis.
As RSCM e outros grupos religiosos juntaram-se numa missa especial, depois assistiram a uma apresentação por parte dos jovens do Movimento ‘Laudato Si’. Em seguida, participaram com outros grupos na marcha rumo à ONU, que atraiu cerca de 75 000 pessoas de todo o país.
“UNMute”Sociedade Civil
Em comemoração do 75.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Secretário-Geral Adjunto para os Direitos Humanos organizou uma mesa-redonda no dia 13 de setembro, sob o tema “Espaço cívico: reforçar a participação através de parcerias reforçadas”. O objetivo era aumentar as possibilidades de participação da sociedade civil nos processos da ONU, partilhando boas práticas e solicitando compromissos aos Estados-Membros. A Embaixadora da Costa Rica e cofundadorada campanha, juntamente com a Dinamarca, salientou a importância da rica experiência trazida pelas ONGs em todas as áreas de trabalho da ONU e a necessidade de mais democracia e inclusão.
Dia Internacional da Paz
A Cerimónia do Sino da Paz teve lugar na Sede das Nações Unidas a 13 de setembro deste ano, em antecipação do Dia Internacional da Paz (21 de setembro), que decorreu durante a Semana de Alto Nível da AGNU. O tema escolhido para a celebração mundial deste ano foi “Ações para a Paz: A nossa ambição para os Objetivos Globais”. Trata-se de um apelo à ação que reconhece a nossa responsabilidade individual e coletiva na promoção da paz. Este facto foi sublinhado pelo Presidente da Assembleia Geral e pelo Secretário-Geral da ONU nos seus breves discursos. “Tanto para as pessoas como para o planeta, podemos – e devemos -impulsionar a paz” (António Guterres).
Educação na primeira infância: prevenção de conflitos violentos
A ligação entre a educação na primeira infância e a prevenção de conflitos pode não parecer imediatamente evidente. No entanto, num evento recente de comemoração do Dia Internacional da Paz, um painel organizado pelo Consórcio para a Paz na Primeira Infância explicou de forma admirável os riscos para a sociedade decorrentes da falta de serviços de Desenvolvimento na Primeira Infância (DPI) e o grande potencial que estes oferecem para a construção da coesão social e para o lançamento das bases de uma cultura de paz. As formas específicas como os programas de DPI podem contribuir para a construção da paz incluem a criação de ambientes seguros, carinhosos e amorosos para as crianças, a promoção de atitudes e competências positivas, a redução da violência e das desigualdades, servindo assim de plataformas para a coesão da comunidade, a tolerância da diversidade e a justiça social.
